sexta-feira, 18 de julho de 2008

Lançamento do livro Coco!


Ontem, pelas 19:00, teve lugar no elegante atelier de Fátima Lopes o lançamento de Coco, de Cristina Sánchez-Andrade, com a chancela de O Quinto Selo Edições. Coco é uma biografia romanceada de uma das maiores estilistas do século XX, Coco Chanel.

O editor Mário Moura procedeu à apresentação da autora e da obra. Assumindo-se como um apreciador, embora não conhecedor profundo, do mundo da moda, salientou a importância de Coco Chanel para o desenvolvimento do papel social, político e cultural da mulher ao longo do século XX. «Vestindo as mulheres, despiu-as de preconceitos», disse. Sublinhou o aspecto literário, para além da riqueza de pesquisa, do livro, apreciando a forma como revela a solidão fundamental desta grande figura. Anunciou ainda que Coco vem inaugurar a colecção «Passerele», dedicada à moda e a biografias de grandes estilistas.


De seguida, a autora Cristina Sánchez-Andrade partilhou com o público uma pequena exposição da obra. Explicou como sempre sentiu um fascínio por Coco Chanel - a estilista, a mulher de negócios e, simplesmente, a mulher – e como a história da sua vida se assemelhava a um romance. «A história já vinha dada», como disse. Esclareceu a sua decisão de escrever não uma biografia, pois já existem bastantes, mas antes um romance baseado na sua vida, enriquecido com os recursos da ficção baseados na sua exaustiva investigação do percuso de Coco Chanel. Destacou que a vida da estilista abrangia quase todo o século XX e que, assim sendo, a sua história era também a história do próprio sexo feminino ao longo do século – da sua emancipação, da sua força e também das suas tristezas.

À apresentação seguiu-se um beberete, durante o qual a autora teve oportunidade de conviver com todos os presentes e assinar alguns livros. A estilista Fátima Lopes foi uma anfitriã muito graciosa e simpática, mostrando-se ansiosa por ler o livro!

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Crítica:

«Homens duros

Dashiell Hammett reinventou o romance policial. Tirou-lhe em sangue e violência o que lhe deu em cinismo e ironia. José Riço Direitinho.

Dashiell Hammett (1894-1961) é um dos autores clássicos da literatura norte-americana do século XX. Alguns dos seus livros foram por cá publicados há muitos anos na famosa colecção "Vampiro", e apenas podiam ser encontrados (com sorte!) em alfarrabistas. Mas as edições O Quinto Selo decidiram traduzir e publicar, ao ritmo de um por mês, os únicos cinco romances que Hammett escreveu. A colecção iniciou-se com o "Falcão de Malta", e prosseguiu com "O Homem Sombra" e "A Chave de Cristal". Anunciam-se para breve os dois restantes: "A Maldição dos Dain" e "Colheita Sangrenta". O resto da obra de Hammett é constituído por mais de meia centena de histórias curtas, nem todas recomendáveis em termos literários, que durante a década de 1920 foi publicando - muitas vezes por razões económicas - na revista "Black Mask", de São Francisco. Hammett escreveu os cinco romances em cinco anos, depois disso passou mais trinta a tentar voltar a escrever. O que nunca conseguiu.
"O Homem Sombra" é, provavelmente, o romance de Hammett mais conseguido em termos da caracterização das personagens e da descrição dos ambientes de "glamour" onde decorre a acção: Manhattan, anos 1930. Nick Charles, a personagem principal, fora um detective privado antes de se casar com a sua jovem e rica Nora. Estão ambos em Nova Iorque de férias quando uma mulher aparece morta e o principal suspeito - porque desapareceu na mesma altura - é Clyd Wynant, inventor louco e amante da morte, e que em tempos fora cliente de Nick. O advogado de Wynant contacta Nick Charles e quer entregar-lhe a investigação. Este vai recusando sucessivas vezes. Também Nora insiste com ele para que aceite o caso. Ele responde-lhe com uma frase que poderíamos dizer "típica de Hammett": "- Além disso, não tenho tempo, estou demasiado ocupado a tentar evitar que percas o dinheiro que me fez casar contigo. - Beijei-a. - Não achas que uma bebida podia ajudar-te a adormecer?"
A escrita de Hammett é realista, a acção progride pelos diálogos, não há espaço para a narrativa de floreados estilísticos, nem para descrições elaboradas que escondem mais do que mostram, tudo é "escrito no osso" e é esta característica o que melhor suporta a história e prende o interesse dos leitores até ao final - que é sempre surpreendente. As personagens são "reais" e falam como "deveriam" falar. Aliás, Hammett chegou a afirmar algures que "conheceu em pessoa todas as personagens" que lhe enchem os livros.
"O Homem Sombra" (o último dos cinco romances a ser escrito) foi na literatura americana um olhar novo sobre os "dias escuros" dos anos 1920 e dos começos da década de 1930. Eram os tempos da Lei Seca, dos "speakeasy", dos gangsters organizados, dos polícias corruptos. A escrita de Hammett forjou uma nova linguagem, uma nova maneira de descrever o mal sem piedade. Ao contrário dos autores de policiais da época - cujas histórias tinham lugar em meios rurais - Hammett trouxe o "cenário" para a cidade, para o centro, para Manhattan e usou a violência para descrever o pesadelo urbano.
À semelhança do que acontece com os detectives em quase todos os romances de Hammett, também o de "A Chave de Cristal", Ned Beaumont, é um bebedor compulsivo de uísque, o que levou alguns biógrafos e críticos a dizerem que todos os detectives "hammettianos" são auto-retratos. "Ned Beaumont tomou banho, vestiu-se e estava a acender um charuto quando o criado lhe trouxe o uísque. Pagou ao rapaz, trouxe um copo da casa de banho e puxou uma cadeira para junto da janela. Sentou-se a fumar, a beber e a olhar para baixo, para o outro lado da rua, até que o telefone tocou." E se a isto juntarmos, pelo menos no caso deste Ned Beaumont, o facto de ser alto e magro e de ter padecido de tubercolose, o retrato fica ainda mais completo. O enredo de "A Chave de Cristal" é um dos mais intrigantes de Hammett. Paul Madvig, alto funcionário da polícia nova-iorquina, tem um desejo: casar com a filha do senador Henry, para deste modo entrar numa família de políticos e iniciar a sua carreira. Mas um filho do senador aparece morto, e Ned Beaumont, amigo de Paul Madvig e com a ajuda deste, decide-se a investigar o caso. É o começo de uma sucessão de surpresas, de um curropio de personagens construídas com poucos traços mas de forma incisiva, e onde a arte da escrita de Hammett mostra todo o seu génio.»

Ípsilon, Público, 25 de Abril de 2008
Crítica:

O Falcão de Malta
Dashiell Hammett

O regresso de um clássico superior deve ser sempre motivo de celebração entusiástica. O Falcão de Malta, uma das obras-primas de Dashiell Hammett, está agora de novo nas livrarias portuguesas, com a chancela O Quinto Selo, décadas depois da Livros do Brasil o ter editado, na icónica colecção Vampiro. Aquando da publicação da obra, em 1930, Hammett era apenas mais um escritor a soldo da revista pulp Black Mask, que publicava histórias negras de crime, violência e sexo. O estilo hardboiled, que ainda hoje define um género de literatura, não era considerado, e as narrativas pareciam estar limitadas ao submundo que exploravam. No entanto, Hammett, e Sam Spade, o detective da história, vieram alterar as coordenadas. Veterano da guerra, ex-investigador e membro do partido comunista americano, Hammett apropriou-se de um modo instrumental do estilo hardboiled, usando-o para retratar, num modo seco e directo que fez escola até hoje, a sociedade americana, cenário privilegiado do mundo capitalista. O que interessava ao escritor era o confronto entre o Poder e a corrupção e o sentido de justiça do indivíduo solitário, que apesar disso não abandona a luta por um mundo melhor, ou, pelo menos, onde as desigualdades e o crime dos poderosos podem ser travados. Spade é o modelo desta luta: aparentemente cínico e amoral, é na verdade uma espécie de justiceiro por conta própria, capaz de resistir a todos os poderes instalados, a começar pela polícia, e de lutar por uma causa que não é capaz de partilhar mas na qual acredita por instinto. É neste contexto que Spade circula, entre uma mulher fatal, Brigid O'Shaughnessy, um ladrão que dá pelo nome de Joel Cairo, Gutman, arquétipo da ganância e da falta de ética, e uma estátua de um falcão. O Falcão de Malta iria transformar-se rapidamente na referência de muitos escritores, a começar por Chandler, e, muitos anos depois, a ser exemplo fundamental da grande novela americana.

José Vegar, Time Out Lisboa, 23 de Abril de 2008

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Novidade:

Um Nobel da Literatura n'O Quinto Selo Edições!

O Quinto Selo Edições lança este mês o livro de um consagrado autor egípcio. Naguib Mahfouz é uma das maiores referências da literatura egípcia. Agraciado com o Prémio Nobel da Literatura em 1988, foi o primeiro autor árabe contemplado com esta distinção. Em 1972, recebeu o Prémio Nacional das Letras Egípcias e foi homenageado com o Colar da República, a mais elevada honra da sua nação. Faleceu em 2006. Akhenaton - O Rei Herege é a obra que irá revelar a verdade sobre um dos períodos mais enigmáticos da história egípcia. Akhenaton empreende uma reforma que faz tremer as fundações do culto religioso no Egipto, ao passar de um culto politeísta com Amon como Deus principal, para um culto monoteísta centrado em Aton, o Deus Sol. Estas mudanças radicais provocam a revolta entre os sacerdotes do Egipto, que vêem alguns dos seus poderes retirados. Estruturado como um romance policial, o objectivo de Akhenaton - O Rei Herege é revelar a verdade sobre um dos períodos mais enigmáticos da história egípcia. A liderar estas escavações literárias encontra-se o jovem Miriamon, que resolve entrevistar cada uma das personagens envolvidas na conspiração que teve por fim o assassinato do faraó e ser «como a história, imparcial e aberta a qualquer testemunho. Só depois dá a conhecer a verdade, livre de ideias feitas para aqueles que desejam contemplá-la.» Pelo menos três mil anos separam a época profana em que vive Naguib Mahfouz das civilizações politeístas que condenaram Akhenaton. Contudo, alguns pontos em comum destas duas personagens do conturbado mundo árabe mostram que a sociedade mudou apenas as máscaras com que encobre a sua milenar crueldade e intransigência em relação ao próximo. Ambos acreditaram em ideias consideradas blasfemas e valeram-se do poder da palavra para se defenderem dos seus inimigos.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

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segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Imprensa:

«Revelação. Segredos do criador de James Bond

Rivais de 007 eram inimigos de Ian Fleming

Scaramanga e Blofeld foram inspirados em pessoas reais

O nome Scaramanga é quase sempre associado ao vilão de O Homem da Pistola Dourada, filme de 1974, um dos episódios da saga de James Bond. Já Blofeld traz à memória a figura do maior inimigo do agente secreto 007, presença segura em vários episódios da série. Ambos os nomes foram escolhidos por Ian Fleming, autor dos romances mais tarde adaptados ao grande écrã. Os dois correspondem também a inimigos pessoais de Fleming e materializam uma espécie de vingança do escritor. A notícia foi ontem revelada pela imprensa britânica.
David Scaramanga confessava ontem aos jornais ingleses nunca ter percebido "porque razão o meu avô, que morreu há 15 anos, odiava tanto Ian Fleming". Revelou também que a "admiração é geral" sempre que alguém ouve o seu último nome. O verdadeiro Scaramanga estudou com Ian Fleming no colégio de Eton, do qual, de acordo com várias biografias, o escritor terá sido expulso por dificuldades de integração.
No mesmo período (durante os anos 20), Fleming recolheu inspiração para outras personagens. Uma delas foi Ernst Stavro Blofeld, o chefe da organização secreta SPECTRE, que James Bond persegue em vários dos episódios da saga. Thomas R. C. Blofeld é a origem da personagem. Um outro companheiro de estudos de Fleming em Eton, pai do comentador de críquete Henry Blofeld, que descreveu uma "relação cordial entre os dois".
Até Bond, o apelido do agente secreto mais famoso de sempre, foi inspirado por uma "personagem" real do percurso de Ian Fleming. Neste caso, o último nome era o mesmo do responsável pela secção de aves da Academia de Ciências Naturais de Filadélfia. Nome escolhido por um amante da Ornitologia, mundo que sempre fascinou Fleming.»

Diário de Notícias, secção Artes, sexta-feira, 10 de Agosto de 2007

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Inédito: Novo livro da série «James Bond» sairá em 2008!

O espião inglês mais famoso e sedutor do mundo regressa apoteoticamente num novo livro, intitulado Devil May Care, a ser lançado no ano em que se assinala o 100.º aniversário do nascimento de Ian Fleming, a 28 de Maio de 2008. Stephen Rubin, presidente e editor da Doubleday Broadway Publishing Group, adquiriu os direitos de publicação para os EUA do título encomendado pela Ian Fleming Publications, Ltd. O livro foi escrito pelo autor de Charlotte Gray, Sebastian Faulks. A história de Devil May Care é passada durante a Guerra Fria, e a acção decorrerá em várias cidades do mundo.

Faulks revela que este novo livro é «80% Fleming» e admitiu ter ficado «surpreso» por ter sido ele o escolhido para continuar a saga do Agente 007: «Fiquei surpreendido, mas também lisonjeado com o pedido que me foi feito no Verão passado, para escrever o livro que assinalará o centenário de Ian Fleming.»



O último dos 14 volumes escritos por Fleming sobre James Bond foi Octopussy and The Living Daylights (007, Operação Tentáculo), publicado em 1966, dois anos após a sua morte. O primeiro foi Casino Royale, publicado em 1953, e adaptado ao cinema no ano passado, com Daniel Craig no papel do espião irresistível.

Faulks junta-se a autores como Kinglsey Amis e John Gardner, que escrevem sobre a personagem de Bond, e dá continuidade a um franchise já bastante famoso e que promete continuar por muito tempo. Até hoje, já foram vendidos mais de 100 milhões de livros de James Bond em todo o mundo.

Exposição James Bond
Em 2008 celebra-se o centenário do nascimento de Ian Fleming e para assinalar a data está a ser preparada uma grande exposição dedicada à sua famosa saga, James Bond – O Agente 007. O evento está a ser organizado pela Fleming Collection e irá incluir as ilustrações feitas ao longo dos tempos para as capas dos livros da série – desde a primeira edição no Reino Unido e nos EUA aos últimos lançamentos e à série do Jovem James Bond, incluindo alguma arte feita para os filmes; porém centrar-se-á mais em Bond como ícone literário. As capas internacionais também serão incluídas nesta grandiosa exposição que passará por inúmeras cidades mundiais: Londres, Nova Iorque, Xangai, Mumbai, Hong Kong, Moscovo e Paris. Há a possibilidade de a exposição passar por Lisboa e Berlim, mas por enquanto ainda nada está confirmado.

Informações retiradas de:

Publishers Weekly, 10 de Julho de 2007

BBC News, 11 de Julho de 2007